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EUA confirmam tarifaço de 25% ao governo brasileiro por ‘práticas comerciais desleais’

Representantes do Brasil contestaram os argumentos apresentados pelos Estados Unidos, afirmando que não há base técnica para as acusações que embasam a investigação comercial conduzida pela Casa Branca.

Felipe Pimentel

O governo dos Estados Unidos confirmou ao Brasil a recomendação para a aplicação de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros durante reunião virtual realizada nesta terça-feira (14). Segundo interlocutores do governo federal, o chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, informou que a recomendação final já foi encaminhada ao presidente Donald Trump, mas sinalizou a possibilidade de ampliar a lista de produtos que ficarão isentos da medida.

De acordo com relatos de autoridades brasileiras, Greer afirmou que considera encerrada a fase de negociações e criticou o que classificou como falta de empenho do governo brasileiro. Em resposta, representantes do Brasil contestaram os argumentos apresentados pelos Estados Unidos, afirmando que não há base técnica para as acusações que embasam a investigação comercial conduzida pela Casa Branca.

Durante a reunião, integrantes do governo Lula também lembraram que propuseram reduzir tarifas de importação sobre o etanol em troca de maior acesso do açúcar brasileiro ao mercado americano, proposta que foi rejeitada pelo USTR. Apesar de descartar uma ampliação gradual das exceções após a entrada em vigor das tarifas, Greer afirmou ter registrado os argumentos apresentados pelo governo e pelo setor privado em defesa da inclusão de mais produtos na lista de isentos.

As autoridades brasileiras destacaram que parte significativa do comércio bilateral envolve subsidiárias de empresas norte-americanas instaladas no Brasil, que exportam componentes para suas matrizes nos Estados Unidos. A avaliação no governo é de que esse argumento pode favorecer a ampliação das exceções e reduzir o impacto do tarifaço, que, no formato atual, atingiria cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. Apesar do encerramento da rodada de negociações, os dois países concordaram em manter aberto o canal de diálogo.

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