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Dados do anuário da violência

Caso Peterson Ícaro expõe padrão no Brasil: violência contra crianças são praticados em sua maioria por conhecidos da família

Entre os autores, 95,4% são homens, e 82,5% conheciam a vítima. Desse total, 40,8% eram pais ou padrastos, 37,2% irmãos, primos ou outros parentes, e 8,7% avós.

Felipe Pimentel

O caso do pequeno Peterson Ykaro Gomes Cardoso, encontrado morto em um terreno baldio no bairro Cidade Universitária, em Maceió, chama atenção não apenas pela brutalidade do crime, mas também por repetir um padrão revelado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A principal linha de investigação aponta como suspeito o próprio tio-avô materno da criança, um perfil que, infelizmente, aparece com frequência nas estatísticas de violência contra crianças.

Segundo a investigação, Peterson estava passando o fim de semana com o pai. Ao levá-lo de volta para casa, o pai não encontrou a mãe, que ainda trabalhava, e deixou o menino sob os cuidados de familiares, entre eles o tio-avô Emanuel. Quando a mãe chegou em casa e percebeu o desaparecimento do filho, acionou a polícia. Horas depois, por volta das 21h30 da segunda-feira, o corpo da criança foi encontrado em um terreno baldio, ao lado do celular do suspeito.

Imagens de câmeras de segurança registraram os dois caminhando juntos em direção à área onde o crime aconteceu. Nas gravações, Emanuel aparece andando à frente enquanto Peterson corre para acompanhá-lo. Em determinado momento, o menino cai, levanta e continua seguindo o tio-avô. Pouco tempo depois, as câmeras mostram Emanuel retornando sozinho da região de mata, carregando duas sacolas amarelas, uma mochila e usando boné.

Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que casos como esse seguem um padrão preocupante. Em 2024, 59% dos estupros de crianças menores de 14 anos foram cometidos por familiares, outros 24% por pessoas conhecidas da vítima e apenas 16% por desconhecidos. Entre os autores, 95,4% são homens, e 82,5% conheciam a vítima. Desse total, 40,8% eram pais ou padrastos, 37,2% irmãos, primos ou outros parentes, e 8,7% avós. O levantamento também aponta que 76,5% desses crimes acontecem dentro da própria casa. Embora 85,5% das vítimas sejam meninas, meninos também são alvo da violência, especialmente entre os 4 e 6 anos de idade, faixa etária em que os registros atingem o pico. Os números reforçam um alerta importante: o maior risco para uma criança, na maioria dos casos, não está nas ruas ou nas mãos de um desconhecido, mas dentro do círculo de confiança da própria família ou entre pessoas próximas.

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