PF indicia ex-deputado do Republicanos e ex-Ministro de Bolsonaro por suspeita de receber propina da fraude do INSS
Os nomes constam no relatório final de 839 páginas do primeiro inquérito da Operação Sem Desconto, que apura o desvio de recursos por meio de entidades conveniadas ao INSS.
A Polícia Federal indiciou o ex-ministro da Previdência do governo Jair Bolsonaro, José Carlos Oliveira, e o ex-deputado federal Euclydes Marcos Pettersen Neto (Republicanos-MG) por suspeita de participação no esquema bilionário de descontos associativos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os nomes constam no relatório final de 839 páginas do primeiro inquérito da Operação Sem Desconto, que apura o desvio de recursos por meio de entidades conveniadas ao INSS.
Segundo a investigação, ambos teriam recebido pagamentos provenientes da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), apontada como uma das entidades envolvidas nas fraudes. A PF afirma que Euclydes Pettersen teria recebido ao menos R$ 14,7 milhões por meio de transferências fracionadas para empresas ligadas a ele. Os investigadores sustentam que o então deputado desempenhava papel estratégico no esquema ao facilitar o acesso de operadores a autoridades com influência sobre indicações para a presidência do INSS.
Em relação ao ex-ministro José Carlos Oliveira, identificado nas investigações pelos codinomes "Abou Yasser" e "São Paulo", a PF afirma que ele foi decisivo para liberar R$ 15,3 milhões que estavam retidos, permitindo a continuidade dos descontos considerados ilegais. Mensagens obtidas pela investigação mostram conversas entre integrantes do grupo sobre pagamentos destinados ao ex-ministro e a outros investigados, incluindo Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS.
O ex-deputado Euclydes Pettersen negou qualquer participação no esquema e afirmou que nunca indicou nomes para cargos no INSS. Ele declarou ainda que o indiciamento representa um ato unilateral da Polícia Federal e ressaltou que não há denúncia, ação penal ou condenação contra ele. Até o momento, não houve manifestação pública do ex-ministro José Carlos Oliveira sobre as conclusões do relatório.