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PF aponta que ex-presidente do INSS recebia propina mensal de R$ 250 mil em esquema de fraudes

O relatório aponta que os valores teriam sido repassados por meio de empresas, entre elas a Stelo Advogados, Delícia Italiana Pizzas e Moinhos Imobiliária, somando pelo menos R$ 900 mil em transferências rastreadas.

Felipe Pimentel

A Polícia Federal concluiu que o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, recebia uma suposta propina mensal de até R$ 250 mil de entidades investigadas no esquema de descontos associativos irregulares aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas. A informação consta no relatório final de 839 páginas da Operação Sem Desconto, que indiciou Stefanutto e outras 47 pessoas por suspeita de participação no esquema.

Segundo a investigação, Stefanutto era identificado pelo codinome "Italiano" nas agendas e conversas dos demais investigados. A PF afirma ter reunido mensagens que indicam pagamentos frequentes ao então presidente do INSS. O relatório aponta que os valores teriam sido repassados por meio de empresas, entre elas a Stelo Advogados, Delícia Italiana Pizzas e Moinhos Imobiliária, somando pelo menos R$ 900 mil em transferências rastreadas.

As investigações também destacam mensagens trocadas entre operadores do esquema que fazem referência à entrega de dinheiro ao ex-presidente do INSS. Em uma conversa de janeiro de 2025, um intermediário informa que o pagamento mensal "já deve estar na conta". Já em diálogos de 2022, investigados mencionam a entrega de "50 do italiano", valor que, segundo a PF, seria parte da propina destinada a Stefanutto. A corporação concluiu ainda que os recursos tinham origem no suposto desvio de valores ligados à Conafer, entidade investigada por descontos indevidos em benefícios previdenciários.

A defesa de Alessandro Stefanutto informou que solicitará ao Supremo Tribunal Federal (STF) a revogação imediata da prisão preventiva do ex-presidente do INSS após a conclusão do primeiro inquérito da Operação Sem Desconto. O pedido será encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso. Até o momento, Stefanutto nega as acusações e sua defesa sustenta que demonstrará a inexistência de irregularidades no processo.

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