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Saúde

Menos de 1% dos brasileiros com indicação para bariátrica conseguem operar e o plano de saúde pode ser um dos obstáculos

Levantamento da SBCBM mostra o tamanho do gargalo no acesso à cirurgia; advogado explica quando a negativa do convênio é ilegal

Felipe Pimentel

Menos de 1% da população brasileira com indicação médica para cirurgia bariátrica consegue, de fato, ter acesso ao procedimento. O dado é da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) e escancara um gargalo que muitos pacientes enfrentam mesmo depois de anos de acompanhamento médico e diagnóstico de obesidade grave.

Entre 2020 e 2024, o Brasil realizou 291.731 cirurgias bariátricas, sendo 260.380 por meio de planos de saúde e 31.351 pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O número mostra que o plano de saúde já é, hoje, a principal porta de entrada para quem precisa do procedimento.

E é aí que mora um problema pouco discutido. Para a maioria dos pacientes, o principal obstáculo não é a fila do SUS, mas a negativa dos planos de saúde. As justificativas mais comuns usadas pelas operadoras para negar a cirurgia incluem carência contratual não cumprida, alegação de que o paciente não passou pelo tempo mínimo de tratamento clínico prévio questionamento sobre o enquadramento do IMC ou das comorbidades, e a classificação do caso como "não urgente".

Apesar das negativas, a indicação da cirurgia bariátrica segue critérios definidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que leva em conta índice de massa corporal (IMC), presença de comorbidades associadas à obesidade e tempo mínimo de acompanhamento clínico.

Quando o paciente já preenche esses critérios, a negativa da operadora pode não se sustentar. Diante de uma recusa, a orientação é reunir toda a documentação médica que comprove a indicação, laudos, exames, relatórios de acompanhamento, e solicitar a negativa por escrito antes de desistir do procedimento.

“Muitas pessoas acreditam que a resposta do plano de saúde é definitiva, mas nem sempre é assim. E O paciente precisa entender os motivos da negativa e conhecer os direitos que possui antes de simplesmente desistir do procedimento”, afirma o advogado.

Ele alerta que, muitas vezes, a judicialização acompanha o paciente do início ao fim do tratamento da obesidade, podendo enfrentar negativas desde a cirurgia bariátrica até a cirurgia reparadora, anos depois. “O importante é não encarar a negativa como fim da história”, conclui.

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