Investigação revela como policiais penais negociavam entrada de celulares e drogas em presídio nordestino
Conversas por WhatsApp, pagamentos via Pix e movimentações financeiras incompatíveis com os salários estão entre as provas reunidas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) contra policiais penais condenados por integrar um esquema criminoso no Conjunto Penal de Feira de Santana. Parte do dinheiro obtido com as propinas teria sido usada, inclusive, na compra de gado.
O grupo foi alvo da Operação Sísifo, deflagrada em 2023 para apurar a entrada de celulares, drogas e outros materiais proibidos na unidade prisional em troca de pagamentos ilegais. Na última terça-feira (8), dez policiais penais foram condenados pela participação no esquema.
Segundo a investigação, as negociações com integrantes da organização criminosa ocorriam por meio de mensagens no WhatsApp. Em uma das conversas extraídas do celular de um dos condenados, os agentes acertavam a entrada de nove celulares, duas balanças de precisão e dois quilos de drogas no presídio pelo valor de R$ 36,5 mil.
Para dificultar o rastreamento do dinheiro, os pagamentos eram feitos por Pix para contas de terceiros, entre elas a de uma empresa apontada pelo MP como integrante do núcleo financeiro da organização. A quebra dos sigilos bancário e fiscal revelou que alguns dos investigados movimentaram centenas de milhares de reais em poucos anos, valores considerados incompatíveis com a remuneração recebida como servidores públicos.
De acordo com o Ministério Público, as apurações identificaram divisão de tarefas, atuação coordenada entre os envolvidos e mecanismos para ocultar a origem dos recursos obtidos com as atividades criminosas, incluindo movimentações financeiras incompatíveis com os rendimentos declarados.