PF investiga suposto pagamento de até R$ 2 milhões a influenciadores para ataques ao Banco Central
A Polícia Federal investiga o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do extinto Banco Master, por supostamente utilizar recursos provenientes das fraudes atribuídas à instituição para financiar uma campanha de desinformação contra o Banco Central. Segundo a corporação, influenciadores digitais teriam recebido pagamentos de até R$ 2 milhões para publicar conteúdos que atacassem a autoridade monetária nas redes sociais.
As informações constam na 10ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira (9) com autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. A investigação apura uma suposta atuação coordenada para enfraquecer a credibilidade do Banco Central, responsável por decretar a liquidação do Banco Master em novembro de 2025.
Na decisão judicial, o ministro cita indícios de que Vorcaro teria criado uma estratégia denominada “Projeto DV”, voltada à disseminação de conteúdos contra o BC utilizando recursos oriundos das fraudes investigadas. A Polícia Federal também afirma que o ex-banqueiro teria intimidado influenciadores que recusaram participar da campanha e promovido o monitoramento ilegal de jornalistas e pessoas ligadas a autoridades públicas.
A operação também investiga uma possível organização criminosa voltada à obtenção de informações sigilosas e à tentativa de interferência em investigações criminais. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em Brasília.
Um dos alvos da operação foi Thiago Miranda, proprietário da Miranda Comunicação, conhecida como Agência MiThi. Segundo a investigação, mensagens trocadas entre Miranda e Vorcaro tratavam da obtenção de informações privadas sobre a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, com o objetivo de impedir a publicação de novas reportagens sobre o Banco Master. As conversas também mencionariam a possibilidade de contratar a jornalista mediante salário de R$120 mil e pagamento de “luvas”, caso não fosse encontrado material que pudesse comprometê-la.
Em nota, a defesa de Thiago Miranda negou qualquer irregularidade e afirmou que o empresário sempre atuou dentro da legalidade. Os advogados ressaltaram que a existência de uma investigação não autoriza antecipação de culpa e destacaram que o investigado está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as apurações. Segundo a defesa, todas as medidas jurídicas cabíveis serão adotadas para garantir o respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à presunção de inocência.