Logo
Dólar 5,05
Euro 5,89
Nublado Maceió: 28º
Geral
Combate ao crime

Bancos paralelos: fintechs ligadas ao PCC movimentaram R$ 26 bilhões, apontam Gaeco e Receita

Arthur Vieira

Uma investigação do Ministério Público de São Paulo e da Receita Federal revelou a existência de fintechs usadas como estruturas financeiras do PCC para lavagem de dinheiro e ocultação de recursos oriundos, principalmente, do mercado de combustíveis. Segundo as autoridades, o esquema teria movimentado mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025.

As descobertas fazem parte da Operação Fluxo Oculto, nova fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quarta-feira (27) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) em conjunto com a Receita Federal.

De acordo com os investigadores, ao menos seis instituições de pagamento atuavam como “bancos paralelos” da facção criminosa, permitindo movimentações financeiras consideradas atípicas e dificultando o rastreamento do dinheiro.

As investigações apontam que o grupo utilizava chamadas “contas bolsão”, mecanismo em que valores eram recebidos de forma centralizada antes de serem pulverizados para diferentes contas, ocultando os verdadeiros beneficiários das operações.

Outro ponto identificado foi a chamada “blindagem patrimonial”, viabilizada por estruturas empresariais consideradas opacas. Segundo a Receita Federal, o modelo explorava fragilidades de fiscalização, ausência de controles rígidos de compliance e menor exigência de declarações fiscais em parte das fintechs investigadas.

O volume financeiro chamou atenção dos órgãos de controle. Em um dos casos apurados, uma única instituição teria recebido mais de R$ 1 bilhão em depósitos em dinheiro vivo — movimentação considerada incompatível com padrões normais do setor.

Ao todo, a operação cumpre 59 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. Entre os alvos estão empresas sediadas na região da Faria Lima, principal centro financeiro do país.

As empresas citadas na investigação são:
• Ceopag Instituição de Pagamento, Ceopar, Fundopay S.A. e XBR Participações;
• America Payment S.A;
• Sispay Instituição de Pagamento, Vpay Instituição de Pagamento e May Servex Negócios Imobiliários;
• Smart Solutions Instituição de Pagamento e Smart Safe Locação e Processamento de Dados;
• YAW Instituição de Pagamento S.A;
• Ello Gestora de Recursos Ltda.

Receba notícias em seu WhatsApp
Participe da nossa comunidade