Famílias ainda enfrentam a dor e a burocracia após tragédia na Serra da Barriga
Um ano após o tombamento do ônibus que deixou 20 mortos na Serra da Barriga, em União dos Palmares, as famílias das vítimas ainda convivem com a dor da perda e cobram respostas sobre as responsabilidades da tragédia, registrada em 24 de novembro de 2024. O veículo, que transportava cerca de 50 pessoas para as celebrações do Mês da Consciência Negra, caiu de uma ribanceira de aproximadamente 100 metros.
Os relatos dos parentes mostram que o impacto permanece. Breno Marcelino, que perdeu a mãe, Josefa Marcelino, afirma que a rotina mudou completamente desde então. Já Maria das Graças, viúva do motorista Luciano de Queiroz, diz que a saudade “pesa todos os dias”. A família do motorista reforça que ele havia alertado sobre problemas mecânicos antes do acidente.
As investigações levantaram divergências sobre a causa. A Polícia Civil apontou falha humana por parte do motorista. O Ministério Público, porém, identificou falhas do poder público: superlotação, uso irregular do ônibus que era escolar e falta de treinamento adequado para a subida da serra. O MP também destacou que o motorista relatou, previamente, problemas no veículo.
Em outubro, uma decisão judicial determinou que o município deve garantir assistência médica completa aos sobreviventes, incluindo consultas, exames, internações, cirurgias e atendimento domiciliar quando necessário. Além disso, o Ministério Público pede indenizações individuais e R$ 5 milhões por danos coletivos.
Para marcar a data, a Prefeitura de União dos Palmares deve inaugurar um memorial no platô da serra, local onde ocorreram as homenagens e a tragédia. Também foram anunciadas novas ações de apoio às famílias e o fim da circulação de ônibus na área, que agora conta com sinalizações específicas.
Mesmo com as homenagens e medidas anunciadas, familiares afirmam que a busca por justiça continua e que o tempo, por enquanto, não diminuiu o peso das lembranças.
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