Maré baixa expões restos de navio com mais de 130 anos em Maceió
Fenômeno no litoral alagoano atrai curiosos e mergulhadores ao revelarem a estrutura preservada do Vapor Mundaú, embarcação do século XIX encalhada após tempestade
Os arrecifes da praia de Pajuçara, em Maceió, guardam um impressionante vestígio do passado que ressurge apenas sob condições específicas da natureza. Quando a maré atinge índices de 0,3 metro ou menos, o recuo das águas deixa à mostra os contornos e estruturas de ferro do Vapor Mundaú, um navio mercante e de passageiros submerso há mais de 130 anos.
Construído no século XIX e pertencente à Companhia Pernambucana de Navegação a Vapor, o navio tem sua história marcada por reviravoltas documentadas em arquivos de historiadores e pesquisadores náuticos. De acordo com registros da época localizados no Sistema de Informações de Naufrágios (SINAU), a embarcação partiu de Recife transportando cargas e passageiros, mas precisou buscar abrigo de emergência na capital alagoano após enfrentar uma forte tempestade em 1889.
Embora o episódio seja popularmente conhecido como um naufrágio, historiadores explicam que o destino final da embarcação foi um pouco diferente. O navio apresentava desgastes estruturais avançados devido à idade e acabou sendo conduzido à região de Pajuçara para passar por reparos urgentes. Contudo, diante do alto custo de recuperação, o vapor acabou sendo abandonado no local, integrando-se permanentemente à paisagem marinha de Maceió.
Atualmente, o local tornou-se ponto de fascínio para moradores e turistas. Praticantes de esportes náuticos, como canoagem e stand-up paddle, aproveitam os dias de maré mínima para observar de perto os destroços que, de longe, parecem apenas uma formação coralínea comum, mas que revelam a rica arqueologia subaquática e o intenso passado portuário de Alagoas.