Crise na saúde de Alagoas: lavanderia alerta para suspensão de coletas e hospitais enfrentam denúncias de falta de pagamentos
Possível interrupção do recolhimento de enxovais a partir de segunda-feira (9) aumenta a preocupação com o funcionamento da rede hospitalar; sindicatos também denunciam cortes de profissionais e problemas na assistência
A rede hospitalar de Alagoas enfrenta uma série de problemas que levantam preocupações sobre a continuidade dos serviços prestados à população. Um novo alerta foi emitido pela DM Lavanderia Hospitalar Especializada, que comunicou às unidades atendidas o risco de interrupção das coletas de enxoval sujo a partir da próxima segunda-feira (9).
Em ofício encaminhado às direções e administrações dos hospitais, a empresa informou que a possível suspensão poderá comprometer o cronograma de recolhimento dos materiais, além do processamento e da reposição do enxoval utilizado nas unidades de saúde. A comunicação, assinada por Danilo Peixoto Messias e datada da sexta-feira (6), tem caráter preventivo.
A lavanderia orientou os hospitais a acompanharem os comunicados oficiais, reforçarem o controle dos estoques e adotarem medidas para garantir o uso racional dos materiais, preservando as trocas necessárias à assistência aos pacientes.
O alerta ocorre em meio a outras denúncias envolvendo a estrutura da saúde estadual. Na quinta-feira (5), o Sindicato dos Enfermeiros de Alagoas (Sineal) denunciou o desligamento de quase uma centena de profissionais do Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió. Segundo a entidade, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) teria estabelecido uma meta de redução superior a 15 mil horas de trabalho.
De acordo com o sindicato, os cortes atingiram setores considerados críticos, incluindo as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), provocando preocupação quanto à sobrecarga das equipes que permanecem em atividade e à segurança da assistência hospitalar.
Também na rede estadual, o Hospital da Mulher Dra. Nise da Silveira suspendeu os atendimentos obstétricos a partir do meio-dia da quinta-feira (5), conforme informações divulgadas pelo Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed/AL). A medida foi atribuída à falta de médicos suficientes para completar a escala de plantão.
O impasse envolvendo os profissionais também está relacionado a descontos de 15% nos salários referentes a outubro. Segundo o Sinmed/AL, médicos começaram a apresentar avisos prévios de desligamento, diante da ausência de uma data definida pela Sesau para a devolução dos valores.
Além dessas ocorrências, relatos encaminhados à reportagem apontam possíveis dificuldades no pagamento de fornecedores, fechamento de serviços de maternidade e paralisação do laboratório do Hospital da Criança por falta de pagamento. Também circulam informações sobre um possível passivo superior a R$ 80 milhões na área da saúde. Esses números e situações, entretanto, ainda precisam de confirmação documental e de esclarecimentos oficiais.
A situação reacende o debate sobre os impactos dos atrasos financeiros e das reduções de equipes no funcionamento da rede hospitalar alagoana. Enquanto profissionais e entidades representativas cobram providências, o alerta da lavanderia acrescenta mais um ponto de preocupação: a possibilidade de dificuldades no abastecimento de enxovais, materiais indispensáveis à rotina dos hospitais.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) deverá esclarecer as denúncias relacionadas aos pagamentos, à situação dos serviços hospitalares e à continuidade dos contratos com fornecedores.