Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) chegam à sessão desta terça-feira (15) em meio a uma divisão pública e inédita na Corte. O julgamento poderá definir os próximos passos sobre a apuração da conduta do ministro Alexandre de Moraes, após a divulgação de mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, mas a decisão sobre uma eventual investigação ainda pode ser adiada.

A crise se intensificou depois que o ministro André Mendonça retirou, no início de setembro, o sigilo de um relatório da Polícia Federal que apontou 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes. Desde então, o STF passou a enfrentar divergências internas, decisões conflitantes, cobranças entre ministros e articulações nos bastidores em busca de uma resposta institucional para o caso.

Até o momento, seis ministros são apontados como mais alinhados em dois grupos. André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques estão de um lado, enquanto Moraes conta com o apoio de Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. A avaliação predominante, porém, é de que ainda não há consenso sobre o resultado da sessão.

Ministros próximos a Mendonça avaliam que o presidente do STF, Edson Fachin, pode defender algum tipo de apuração sobre Moraes, entendimento que poderia contar também com o apoio de Cármen Lúcia. Já a ala ligada a Moraes deve concentrar a estratégia em questões processuais, as chamadas preliminares, que podem impedir a abertura de uma investigação e evitar que o conteúdo das mensagens seja analisado pelo plenário. O Agora Alagoas acompanha o julgamento diretamente de Brasília.