Brasil registra recorde de desaparecimentos no primeiro semestre de 2026
País teve 43.828 registros entre janeiro e junho; famílias enfrentam buscas que podem durar décadas
O Brasil registrou 43.828 desaparecimentos entre janeiro e junho de 2026, segundo o Sinesp. São cerca de 242 casos por dia, o maior número em um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 2015.
São Paulo lidera os registros, com 10.449 casos, seguido por Minas Gerais (4.864), Rio Grande do Sul (3.933) e Rio de Janeiro (3.364).
Para Ivanise Esperidião da Silva, fundadora da Associação Mães da Sé, a falta de respostas torna o desaparecimento ainda mais doloroso. Sua filha, Fabiana, desapareceu aos 13 anos, em dezembro de 1995, e nunca foi localizada.
“Ter um filho desaparecido é mil vezes pior que a morte.”
Criada após o desaparecimento de Fabiana, a Mães da Sé afirma ter ajudado a localizar quase 6 mil pessoas. A entidade também acompanha famílias que permanecem sem respostas.
A Lei da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, de 2019, determina que as investigações não sejam interrompidas até que haja uma resposta. Já o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD), lançado em 2024, busca integrar informações de diferentes estados.
Entre 24 e 28 de agosto, o Ministério da Justiça realiza a 4ª Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas, com 342 postos nas 27 unidades da Federação.
A comparação dos perfis genéticos já possibilitou 112 identificações nas mobilizações de 2024 e de 2025 até julho de 2026. Desde 2013, a Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos realizou 815 identificações.
A coleta é gratuita e feita com cotonete na parte interna da bochecha. Familiares devem apresentar documento com foto e informações do Boletim de Ocorrência.
O Ministério da Justiça reforça ainda que não é preciso esperar 24 ou 48 horas para registrar um desaparecimento. A orientação é procurar a polícia assim que a pessoa não for localizada como esperado.