Câmara envia ao STF relato de suposta "armação" contra Alfredo Gaspar
O depoente afirmou ainda que teria sido criada uma filha fictícia para dar sustentação à narrativa.
A Câmara dos Deputados encaminhou ao Supremo Tribunal Federal um depoimento que relata uma suposta armação envolvendo uma acusação contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). O material foi enviado ao STF em 5 de maio de 2026.
O relato foi prestado virtualmente à Polícia Legislativa em 23 de abril por um comerciante identificado como Luis Antonio Lopes, de 62 anos. Segundo ele, uma jovem chamada Marcela Maria Mendes teria sido preparada para conceder entrevistas usando o nome fictício de “Jailma” e se apresentar como vítima de violência sexual atribuída a Gaspar. O depoente afirmou ainda que teria sido criada uma filha fictícia para dar sustentação à narrativa.
O comerciante também declarou que Marcela teria recebido pagamentos relacionados à suposta trama e mencionou três depósitos, nos valores de R$ 4 mil, R$ 10 mil e R$ 2,5 mil. De acordo com a reportagem, ele apresentou à Polícia Legislativa comprovantes referentes aos dois últimos valores.
O caso chegou ao Supremo porque o depoimento menciona o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que possui foro por prerrogativa de função. Luis Antonio afirmou que Lindbergh teria participado de uma reunião virtual e, na percepção do depoente, teria conhecimento do contexto tratado. O parlamentar nega as acusações. Em manifestação ao Metrópoles, disse desconhecer os envolvidos e afirmou não ter participado de reuniões sobre o assunto.
O material foi encaminhado ao gabinete do ministro Gilmar Mendes, relator do pedido de abertura de inquérito relacionado à acusação contra Alfredo Gaspar. Antes de decidir sobre a investigação, o ministro solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República. A PGR pediu diligências à Polícia Federal em 21 de maio, e o pedido foi encaminhado à PF em 5 de agosto.