Brasil se torna o segundo país mais tarifado do mundo após EUA imporem 25% de tarifa
Medida eleva a tarifa média sobre produtos brasileiros e amplia preocupações com os efeitos sobre a economia
O tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, com início previsto para 22 de julho, deve elevar a tarifa efetiva média aplicada ao Brasil para 18,2%. Segundo a plataforma internacional Global Trade Alert, o país passará a ocupar a segunda posição entre os mercados mais tarifados pelos norte-americanos, atrás apenas da China.
O cálculo considera a combinação da nova tarifa de 25% com outras medidas comerciais em vigor. A sobretaxa foi confirmada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após a conclusão de uma investigação sobre políticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano. Representantes da indústria brasileira participaram de audiência pública em Washington para tentar reverter a decisão, mas o pedido não foi aceito.
Entidades empresariais avaliam que a medida poderá afetar significativamente a competitividade dos produtos brasileiros no mercado dos Estados Unidos. A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) estima que mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio, o equivalente a cerca de 26% das vendas brasileiras ao país, poderão ser impactados. A entidade também destaca que os Estados Unidos registraram superávit comercial de US$ 41,8 bilhões na relação bilateral com o Brasil em 2025.
Relatórios do setor privado projetam reflexos na economia brasileira. Segundo estimativa citada por Felipe Cima, da Manchester Investimentos, a tarifa efetiva poderá alcançar 16,8%, com impacto de cerca de US$ 1 bilhão no fluxo comercial e redução aproximada de 0,03% no Produto Interno Bruto (PIB). A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que 20 dos 27 estados brasileiros já apresentaram queda nas exportações para os Estados Unidos no primeiro trimestre de 2026 e avalia que a tendência pode se intensificar com a entrada em vigor das novas tarifas. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) também alertou para possíveis efeitos sobre investimentos, produção, emprego e cadeias produtivas.