Atendente com TDAH é indenizada em R$ 2O mil após receber ''troféu de funcionária mais lerda'' no trabalho
Uma atendente diagnosticada com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) será indenizada em R$ 20 mil após ser vítima de assédio moral em seu ambiente de trabalho. A decisão foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG), que reconheceu que as humilhações sofridas contribuíram para o agravamento de seu quadro de saúde. Segundo o processo, a trabalhadora era constantemente alvo de piadas e apelidos ofensivos relacionados ao seu desempenho profissional. Entre os episódios mais constrangedores, colegas de trabalho chegaram a entregar um "troféu" classificando-a como "a empregada mais lerda do setor", prática que fazia parte de uma espécie de ranking interno.
A funcionária relatou que, além das ofensas, enfrentava pressão constante, situação que desencadeou crises de ansiedade e agravou um quadro de transtorno ansioso-depressivo. Laudo pericial confirmou que o ambiente de trabalho teve papel relevante no adoecimento da empregada, caracterizando nexo entre as condições laborais e o agravamento da doença. Durante o julgamento, ficou comprovado que a empresa tinha conhecimento das humilhações, mas não adotou medidas para impedir a continuidade do comportamento abusivo. Para a Justiça do Trabalho, a omissão da empregadora configurou falha no dever de garantir um ambiente de trabalho seguro, saudável e livre de práticas discriminatórias.
Na primeira instância, a indenização por danos morais havia sido fixada em R$ 50 mil. No entanto, ao analisar o recurso, o TRT-MG reduziu o valor para R$ 20 mil, entendendo que a quantia atende aos princípios da proporcionalidade e do caráter pedagógico da condenação. A decisão também assegurou à trabalhadora direitos relacionados ao reconhecimento da doença ocupacional e ao período de estabilidade previsto na legislação trabalhista.