Logo
Dólar 5,11
Euro 5,84
Nuvens dispersas Maceió: 24º
Geral
Crime

Pastores investigados por abuso sexual ofereciam Pix e ameaçavam expulsar vítimas da igreja, diz polícia

Arthur Vieira

Um casal de pastores evangélicos investigado por crimes sexuais contra adolescentes em Roraima também é suspeito de usar a influência religiosa para silenciar as vítimas. Segundo a Polícia Civil de Roraima (PCRR), Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamyla Moraes de Souza, de 24, ofereciam dinheiro, transferências via Pix e aplicavam punições internas na igreja para evitar denúncias.

De acordo com o relatório final do inquérito, o casal utilizava a posição de liderança para intimidar fiéis e desencorajar qualquer questionamento. A investigação aponta que documentos da própria igreja previam punições para membros considerados “rebeldes” ou que provocassem “dissidência”, o que, na prática, poderia resultar na expulsão da congregação ou na perda de cargos exercidos pelos integrantes.

Além da tentativa de comprar o silêncio das vítimas, a Polícia Civil afirma que os investigados tentaram destruir provas durante as investigações. Uma mulher de 20 anos foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores após, supostamente, participar da destruição do celular do pastor com a ajuda de uma adolescente e de uma das vítimas. Ainda segundo a polícia, uma jovem teria sido orientada a registrar um boletim de ocorrência falso para justificar o desaparecimento do aparelho.

Para a delegada Kamilla Basto, responsável pelo caso, os crimes foram facilitados pelo uso da fé como instrumento de manipulação. “Os investigados utilizavam a confiança das vítimas como mecanismo de dominação e silenciamento”, afirmou.

Com a conclusão do inquérito, Wenderson Lima foi indiciado por estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de crianças e adolescentes, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica. Arielly Kamyla responderá, em tese, por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. O caso será analisado pelo Ministério Público e pela Justiça.

Receba notícias em seu WhatsApp
Participe da nossa comunidade