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Governo Trump critica condenação de Eduardo Bolsonaro e fala em perseguição política

Arthur Vieira

O governo dos Estados Unidos voltou a se manifestar sobre a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e classificou a decisão como mais um episódio de perseguição política contra adversários no Brasil. A posição foi divulgada por um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano e repercutida pela agência Reuters e pela Folha de S.Paulo.

Segundo a manifestação, a condenação seria parte de um suposto padrão de utilização do sistema de Justiça para fins políticos, prática conhecida internacionalmente como lawfare. O órgão afirmou ainda que disputas e divergências políticas devem ser resolvidas por meio de eleições democráticas, e não por condenações judiciais.

Eduardo Bolsonaro foi condenado por unanimidade pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na última terça-feira (16), sob acusação de coação no curso do processo. A decisão está relacionada à atuação do ex-parlamentar nos Estados Unidos, considerada pelos ministros uma tentativa de intimidar integrantes do Judiciário brasileiro e interferir no andamento das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.

A pena fixada foi de quatro anos e dois meses de prisão em regime inicialmente semiaberto, além de multa de R$ 150 mil. A condenação também prevê a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal, do qual ele estava afastado, e o enquadramento na Lei da Ficha Limpa, tornando-o inelegível por oito anos.

A crítica do Departamento de Estado ocorre um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentar o caso durante encontro do G7. Ao abordar o tema, Trump demonstrou descontentamento com a decisão, mas confundiu integrantes da família Bolsonaro ao afirmar que teria sido informado sobre a prisão de “Bolsonaro Jr.”.

Em resposta às declarações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Trump tem o direito de manter relações pessoais e políticas com a família Bolsonaro, mas disse esperar respeito à soberania brasileira e às instituições do país.

Apesar dos encontros protocolares durante a cúpula do G7, Lula e Trump não realizaram reunião bilateral. Paralelamente, Brasil e Estados Unidos seguem negociando questões comerciais, em meio a discussões sobre possíveis tarifas, além de temas relacionados ao Pix e à regulação das plataformas digitais.

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