Lideranças do PT defendem apuração sobre Jaques Wagner e rejeitam blindagem política
Parlamentares do PT ouvidos pela imprensa defenderam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) seja investigado no âmbito das apurações relacionadas ao caso Banco Master e afirmaram que não há espaço para qualquer tipo de blindagem política. Entre as posições manifestadas, também há quem defenda que o senador deixe a liderança do governo no Senado enquanto o caso é esclarecido.
Jaques Wagner foi citado após operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (18), que investiga supostas ligações entre o parlamentar e Augusto Lima, ex-sócio do empresário Daniel Vorcaro. Durante a ação, agentes apreenderam valores em moeda estrangeira em endereços vinculados ao investigado.
O vice-líder do governo na Câmara, deputado Rogério Correia (PT-MG), afirmou que eventuais responsabilidades devem ser apuradas independentemente de filiação partidária. Segundo ele, caso integrantes do campo governista tenham cometido irregularidades, devem responder pelos próprios atos. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar também reiterou que as investigações devem seguir “até o fim”.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) adotou posicionamento semelhante. Para ele, qualquer pessoa eventualmente envolvida em irregularidades deve ter amplo direito de defesa, mas as investigações precisam avançar sem interferências. O parlamentar também ressaltou que a Polícia Federal atua com autonomia e que a apuração deve alcançar todos os envolvidos.
Nos bastidores do partido, parlamentares demonstraram incômodo com a manifestação do presidente nacional do PT, Edinho Silva, que saiu em defesa de Jaques Wagner logo após a operação. Em nota, Edinho afirmou confiar que o senador esclarecerá os fatos e comprovará sua inocência.
Segundo relatos de integrantes da legenda, a defesa antecipada do senador pode dificultar o discurso adotado pelo partido de apoio às investigações e de combate a possíveis irregularidades. A avaliação é que o PT precisa preservar a narrativa de que não haverá tratamento diferenciado para aliados políticos.
Outro aliado do presidente Lula ouvido pela imprensa afirmou que o governo não pode abrir mão do discurso de independência das instituições de controle e investigação. Segundo ele, a Polícia Federal deve continuar atuando com autonomia, independentemente de quem seja alvo das apurações.