PF aponta que Ciro Nogueira recebeu ao menos R$ 6 milhões de Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master
Relatório enviado ao STF sustenta que senador e ex-controlador do banco mantinham relação baseada em benefícios mútuos e interesses convergentes
A Polícia Federal identificou indícios de que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu pelo menos R$ 6 milhões do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entre os anos de 2024 e 2025. As informações constam em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da investigação que apura supostas irregularidades financeiras envolvendo a instituição.
Segundo a PF, os investigadores encontraram elementos que apontam para uma relação considerada estratégica entre Vorcaro e o parlamentar, marcada pela troca de benefícios e pela atuação em pautas de interesse do banqueiro. De acordo com os cálculos da polícia, os repasses teriam ocorrido de forma periódica, alcançando valores mensais de aproximadamente R$ 300 mil ao longo de cerca de 20 meses.
Além dos pagamentos, a investigação aponta que Ciro Nogueira teria recebido vantagens econômicas relacionadas a viagens internacionais, hospedagens e despesas em restaurantes de alto padrão. Os gastos identificados pela PF somam pelo menos R$ 468 mil e incluem passagens por destinos como Nova York, Paris, Lisboa e Courchevel, tradicional estação de esqui nos Alpes franceses.
Entre os episódios mencionados no relatório está uma viagem realizada em janeiro de 2025, quando Daniel Vorcaro teria custeado mais de R$ 122 mil em despesas do senador em restaurantes da cidade francesa. Os investigadores ressaltam que o valor não inclui gastos com voos particulares utilizados em viagens internacionais e deslocamentos realizados dentro dos Estados Unidos.
Para a Polícia Federal, o conjunto de despesas e transferências reforça a suspeita de que o senador teria recebido vantagens indevidas em troca de apoio a pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional. O relatório cita, por exemplo, a elaboração de minutas legislativas por integrantes da equipe de Vorcaro que posteriormente teriam sido encaminhadas ao parlamentar.
Uma das propostas mencionadas pelos investigadores é a chamada “emenda Master”, que previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), medida que, segundo a PF, beneficiaria diretamente o modelo de captação adotado pelo banco.
A defesa de Ciro Nogueira ainda não se manifestou sobre as conclusões apresentadas pela Polícia Federal. O espaço permanece aberto para posicionamento do senador.