Big techs veem risco no STF e temem reforço antecipado a decretos de Lula sobre redes sociais
Decretos estabelecem novas regras para atuação das plataformas digitais
As grandes empresas de tecnologia acompanham com preocupação os próximos passos do Supremo Tribunal Federal no debate sobre internet e redes sociais. O receio das chamadas big techs é que o STF sinalize apoio antecipado aos decretos assinados recentemente pelo presidente Lula, antes mesmo de eventuais ações questionando a constitucionalidade das medidas chegarem oficialmente à Corte.
Os decretos, publicados no mês passado, estabelecem novas regras para a atuação das plataformas digitais com base em decisões anteriores do próprio Supremo sobre o Marco Civil da Internet. Entre as mudanças, estão obrigações mais detalhadas sobre remoção de conteúdos e a atribuição à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) da fiscalização das novas normas.
Nos bastidores, segundo relatos divulgados pela imprensa, empresas do setor desconfiam de uma possível sintonia entre a edição dos decretos e a mudança no formato de julgamento dos recursos ligados ao Marco Civil. Inicialmente previsto para ocorrer no plenário virtual, o caso foi transferido para julgamento presencial, movimento que, na avaliação das plataformas, pode acelerar a análise dos embargos já na próxima semana.
A principal preocupação das gigantes digitais é que ministros do STF aproveitem a discussão para antecipar posicionamentos favoráveis aos decretos presidenciais, o que poderia enfraquecer futuras tentativas de contestação judicial. Enquanto acompanham a tramitação de dezenas de projetos no Congresso que buscam derrubar os atos do governo, as empresas tentam preservar também a possibilidade de questionar as medidas na Suprema Corte.