Filme sobre Bolsonaro vira alvo de denúncias de agressão e assédio em set de gravação
Trabalhadores relataram agressões, assédio moral, atrasos de pagamento e revistas constrangedoras durante gravações em São Paulo
Além de polêmicas envolvendo Daniel Vorcaro, preso após a polêmica com o Banco Master, a produção do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, passou a ser alvo de denúncias envolvendo más condições de trabalho durante as gravações realizadas em São Paulo.
Segundo informações divulgadas pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo (Sated-SP), ao menos 15 trabalhadores denunciaram situações que ocorreram no set de filmagem. Os relatos também apontam que parte dos profissionais atuava sem contratos assinados, exigência prevista no setor audiovisual.
De acordo com a vice-presidente do sindicato, Ângela Couto, a produtora Go Up Entertainment chegou a firmar um acordo inicial para regularizar os contratos e pendências trabalhistas, mas posteriormente teria descumprido o compromisso. O sindicato afirma que segue tentando resolver as demais irregularidades relatadas pelos trabalhadores.
As denúncias também chegaram ao Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT-SP), que instaurou um inquérito em abril para investigar possíveis casos de assédio moral e agressões físicas durante a produção do longa-metragem.
Entre os relatos apresentados está o de um ator de 21 anos que afirmou ter sido agredido durante uma diária de gravação no Memorial da América Latina, em novembro de 2025. Segundo ele, após entrar no set com um celular por não haver local adequado para armazenar o mesmo, foi retirado à força do local com empurrões, tapas e socos por integrantes da segurança.
Outros trabalhadores denunciaram atrasos no pagamento das diárias de figuração, avaliadas em R$ 100. Alguns afirmaram que os prazos prometidos pela produção foram alterados sucessivamente sem justificativa.
Outra denúncia envolve revistas pessoais realizadas diariamente por seguranças da produção. Trabalhadoras relataram toques em partes íntimas e acompanhamento até banheiros durante o expediente, situação descrita nas queixas como constrangedora e abusiva.