Eduardo teria poder sobre o orçamento do filme de Bolsonaro, diz Intercept
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro teria exercido funções ligadas à gestão financeira do filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira (15) pelo The Intercept Brasil.
De acordo com a publicação, documentos e mensagens obtidos pela reportagem apontam Eduardo como produtor-executivo do longa, ao lado do deputado federal Mário Frias. Um contrato datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo indicaria que a produtora americana GoUp Entertainment ficaria responsável pelo projeto.
Entre as atribuições previstas no documento estariam participação em decisões estratégicas sobre financiamento, preparação de materiais para investidores e auxílio na captação de recursos, incluindo incentivos fiscais, patrocínios e product placement.
A reportagem também cita uma minuta de aditivo contratual de fevereiro de 2024 em que Eduardo aparece como financiador do projeto. O texto ressalta, porém, que não há confirmação de que o documento tenha sido efetivamente assinado.
Em outra frente, mensagens atribuídas a Eduardo Bolsonaro mostram orientações para que os recursos destinados ao filme fossem movimentados diretamente nos Estados Unidos. Em uma das conversas divulgadas, ele afirma que “o ideal seria haver os recursos já nos EUA”, alegando que remessas feitas a partir do Brasil poderiam enfrentar dificuldades e atrasos.
À CNN Brasil, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que o contrato mencionado “deixou de existir” após a formalização da estrutura da produção nos Estados Unidos. Segundo ele, Eduardo não teria administrado recursos do projeto.
“O Eduardo não fez gestão de dinheiro. Ele colocou dinheiro do próprio bolso no projeto e ajudou a conseguir um diretor com padrão hollywoodiano”, declarou.
O caso entrou no radar da Polícia Federal após a revelação de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria transferido cerca de R$ 61 milhões relacionados à produção do filme. Os investigadores apuram se parte dos recursos foi utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Na quinta-feira (14), Eduardo negou ter recebido valores do fundo ligado ao longa. Em publicação nas redes sociais, afirmou que apenas cedeu direitos de imagem e que nunca ocupou cargo de gestão no fundo de investimento responsável pela produção.
Também na quinta, Mário Frias reconheceu que recursos ligados a Daniel Vorcaro chegaram ao projeto, mas alegou que os aportes ocorreram por meio da empresa Entre, e não diretamente pelo Banco Master.