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OMS estima 22,1 milhões de mortes ligadas à Covid, três vezes mais que número oficial

Relatório da Organização Mundial da Saúde aponta impacto direto e indireto da pandemia entre 2020 e 2023; homens, idosos e asiáticos foram os mais afetados

Arthur Vieira

A pandemia de Covid-19 provocou cerca de 22,1 milhões de mortes no mundo entre 2020 e 2023, segundo o Relatório de Estatísticas Mundiais de Saúde 2026, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O número é mais de três vezes superior ao total oficialmente registrado no período, de aproximadamente 7 milhões de óbitos.

A estimativa inédita considera não apenas as mortes causadas diretamente pelo coronavírus, mas também os impactos indiretos da crise sanitária, como a sobrecarga dos sistemas de saúde, interrupção de tratamentos e dificuldade de acesso a hospitais, medicamentos e vacinas. A OMS alerta ainda para possível subnotificação em países de baixa renda.

Segundo o relatório, o pico da mortalidade ocorreu em 2021, quando foram registradas 10,4 milhões de mortes excedentes, impulsionadas por variantes como a delta. Em 2023, esse excedente caiu para 3,3 milhões. O cálculo compara o número esperado de mortes em anos normais com os óbitos registrados durante a pandemia.

Os dados mostram que homens representaram 57% das vítimas globais, enquanto pessoas com 65 anos ou mais concentraram 65% das mortes. Idosos acima de 85 anos tiveram risco de morte até dez vezes maior do que adultos entre 55 e 59 anos. Geograficamente, o sudeste asiático respondeu por 27% da mortalidade mundial ligada à pandemia.

O relatório também destaca o impacto da Covid na expectativa de vida global. O índice caiu de 73 anos, em 2019, para 71 anos em 2021, retornando ao patamar registrado uma década antes. Apesar de recuperação parcial em 2023, a OMS afirma que os efeitos ainda são desiguais e defende o fortalecimento da atenção primária, da cobertura universal de saúde e dos sistemas de monitoramento de mortalidade para evitar novos retrocessos.


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