MP diz que cão Orelha não foi morto por adolescentes e aponta doença grave como causa do óbito
Perícia não encontrou sinais de fraturas ou lesões compatíveis com espancamento
O caso da morte do cão comunitário Orelha, que gerou revolta nacional no início do ano, ganhou uma reviravolta após a divulgação do laudo de exumação e o pedido de arquivamento do inquérito pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Segundo a perícia científica, o animal não morreu em decorrência de agressões, como apontava a principal linha de investigação, mas sim por problemas graves de saúde já existentes.
De acordo com o documento divulgado em março, especialistas da Polícia Científica não encontraram qualquer sinal de fraturas, traumas ou lesões compatíveis com espancamento. A análise dos restos mortais apontou que o organismo do cão estava debilitado por doenças crônicas, levando os peritos a concluírem que a morte ocorreu de forma natural. A descoberta desmontou a narrativa de crueldade que mobilizou protestos e acusações nas redes sociais.
Com base no laudo, o MPSC pediu oficialmente o arquivamento do caso e afirmou que não há provas de que os adolescentes investigados tenham causado a morte do animal. A promotoria também analisou imagens de câmeras de segurança e identificou uma diferença de cerca de 30 minutos entre os horários registrados nos equipamentos, o que teria mudado completamente a interpretação dos fatos.
Segundo o Ministério Público, enquanto um dos adolescentes aparecia em um deck da Praia Brava, o cão Orelha foi visto caminhando normalmente a quase 600 metros do local, horas após o suposto ataque registrado em janeiro. A conclusão reforçou o entendimento de que os jovens não estiveram com o animal no momento apontado inicialmente pela investigação.