O sol não vai se pôr por 84 dias no Alasca; Entenda o fenômeno
Cidade no extremo norte do planeta entra no período conhecido como “sol da meia-noite”, quando a claridade permanece durante 24 horas por dia por causa da inclinação do eixo terrestre.
A cidade de Utqiagvik, no extremo norte do Alasca, entrou no período conhecido como “sol da meia-noite” e ficará 84 dias seguidos sem anoitecer. O fenômeno começou neste último domingo (10) e fará com que o Sol só desapareça do horizonte em 2 de agosto.
Localizada acima do Círculo Polar Ártico, a cidade tem cerca de 5 mil habitantes e vive, todos os anos, semanas de claridade contínua durante o verão do Hemisfério Norte. Mesmo durante a madrugada, o céu permanece iluminado, obrigando moradores a recorrerem a cortinas blackout para conseguir dormir.
O fenômeno ocorre por causa da inclinação de aproximadamente 23,5 graus do eixo de rotação da Terra. Durante o movimento de translação ao redor do Sol, o Polo Norte fica voltado em direção à luz solar nesta época do ano. Com isso, regiões próximas ao Ártico permanecem iluminadas mesmo enquanto o planeta gira em torno de si.
O fenômeno é uma das evidências do formato esférico da Terra. Em locais próximos aos polos, o Sol realiza um movimento circular no horizonte, sem desaparecer completamente, algo incompatível com teorias de Terra plana. Além disso, as diferenças entre as estações do ano e a variação da incidência solar entre hemisférios só são explicadas pelo formato arredondado do planeta e pela inclinação do eixo terrestre.
Apesar da presença constante do Sol, Utqiagvik continua registrando temperaturas baixas. Isso acontece porque os raios solares atingem a região de forma inclinada e menos intensa, espalhando o calor por uma área maior. No fim do ano, a situação se inverte: a cidade entra na chamada “noite polar” e passa cerca de 65 dias em escuridão total, com temperaturas que podem chegar a -30°C.