“Acusações são falsas”, diz réu durante interrogatório no caso Davi da Silva; julgamento é suspenso e continua nesta terça
Réus negam participação, apresentam versões com contradições e sessão é interrompida após longas horas de depoimentos
O julgamento do caso Davi da Silva, que já dura quase 12 anos, avançou nesta segunda-feira (4) com os interrogatórios dos réus e novos desdobramentos marcados por versões conflitantes e tensão no plenário.
Um dos acusados, Eudecir Gomes de Lima, negou envolvimento no crime ao ser questionado diretamente pelo juiz. “As acusações são falsas”, afirmou. Ele confirmou que a guarnição passou pela região citada no dia do desaparecimento, mas disse que não chegou a entrar no local. Também relatou detalhes sobre a viatura e o fardamento utilizados, além de afirmar que comandava a equipe.
Durante o depoimento, o Ministério Público apontou inconsistências nas falas, especialmente em relação a locais e horários. Em um momento, a promotoria destacou divergências entre o relato do réu e o de outros envolvidos sobre onde a equipe estaria no mesmo período.
Na sequência, outro réu, Victor Rafael Martins da Silva, também foi interrogado. Ele declarou que estava em patrulhamento na região da Cidade Universitária e negou participação no crime. Questionado, afirmou não saber por que está sendo acusado e disse que havia passado por treinamento policial antes da atuação.
A ex-policial Nayara Silva de Andrade também prestou depoimento e apresentou uma versão semelhante sobre o deslocamento da equipe, mas entrou em contradição ao ser confrontada com declarações anteriores, principalmente sobre paradas durante o serviço.
O clima no plenário ficou tenso em alguns momentos, com discussões entre defesa e acusação, levando o juiz a intervir para manter a ordem e advertir sobre manifestações.
Diante do avançado da hora e da complexidade dos depoimentos, o magistrado decidiu suspender a sessão. O julgamento será retomado nesta terça-feira (5), às 8h, quando devem ocorrer os debates entre acusação e defesa.