"Pisa na cabeça dele!": Polícia descobre grupos de adolescentes que transmitem tortura de animais ao vivo nas redes
Crimes são transmitidos ao vivo, monetizados e podem envolver chantagem com adolescentes obrigados a torturar animais
A Polícia Civil de São Paulo investiga grupos formados majoritariamente por adolescentes e jovens de até 20 anos que transmitem ao vivo a tortura de filhotes de cães e gatos em servidores do Discord. Segundo o Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), os crimes são agendados previamente e monetizados em comunidades fechadas, chamadas de “panelas”, onde a violência é usada como forma de reconhecimento entre os participantes.
A delegada Lisandréa Salvariego afirmou que há registro de 10 a 15 animais torturados por noite, com espectadores incentivando mutilações durante as transmissões. “Só tem valor se for ao vivo. Porque ao vivo ele consegue demonstrar que é ele mesmo que está fazendo”, explica a mesma.
As investigações apontam que parte das ações envolve vítimas coagidas por meio de sextorsão. Adolescentes atraídos por relacionamentos virtuais são ameaçados após enviar imagens íntimas e acabam obrigados a matar animais da própria família ao vivo. A polícia afirma ter salvado mais de mil animais ao derrubar servidores e acionar familiares. Um dos casos mais graves envolve um jovem de 19 anos preso no Ceará, suspeito de matar mais de 100 animais.
Atualmente, cerca de 1.800 grupos ativos são monitorados no país, com maior presença nas regiões Norte e Nordeste. Para os investigadores, a prática pode indicar escalada de violência e perda de empatia. A Polícia Civil também critica a falta de colaboração da plataforma para identificação dos envolvidos.