Racha no PL fortalece aliadas de Michelle Bolsonaro e amplia disputa por protagonismo na direita
A disputa interna entre Michelle Bolsonaro e os filhos políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo protagonismo como porta-voz do líder preso tem provocado tensões no PL e impacto direto nas articulações eleitorais nos estados. O clima de confronto reduz as chances de Michelle figurar como vice em uma chapa presidencial em 2026, mas, ao mesmo tempo, fortalece o nome de aliadas que ganham espaço nas negociações conduzidas pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto. Entre elas está a deputada federal Rosana Valle (PL-SP), que passou a ser considerada para a disputa ao Senado após ser citada por Valdemar em pesquisas internas, movimento atribuído à influência da ex-primeira-dama.A possível ascensão de Rosana rearranja cenários em São Paulo, onde ela poderia substituir Eduardo Bolsonaro, atualmente nos Estados Unidos e alvo de um processo de coação no Supremo Tribunal Federal. Outros nomes cotados na direita incluem Guilherme Derrite, Marco Feliciano, Ricardo Salles, Mello Araújo e Tomé Abduch, com o ex-governador Rodrigo Garcia surgindo como alternativa. Rosana se aproximou ainda mais do núcleo de poder paulista ao participar de eventos oficiais ao lado do governador Tarcísio de Freitas e da primeira-dama Cristiane Freitas, reforçando sua visibilidade dentro do partido.Ao mesmo tempo, Michelle tem demonstrado força em outros estados, especialmente no Ceará, onde contestou publicamente acordos articulados por dirigentes do PL e defendeu candidaturas femininas, como a da vereadora Priscila Costa ao Senado. A postura incomodou os filhos de Bolsonaro, levando Flávio, Carlos e Eduardo a criticarem a madrasta, mas culminou em uma reconciliação que expôs o peso político da ex-primeira-dama. Em Santa Catarina, Michelle também se movimenta em torno de nomes como Carol de Toni e Júlia Zanatta, que buscam espaço no Senado defendendo bandeiras alinhadas ao bolsonarismo.A crescente influência de Michelle e o avanço de suas aliadas nas articulações regionais ampliam o embate interno no PL e pressionam o partido a reorganizar suas estratégias para 2026. Enquanto Valdemar tenta acomodar interesses divergentes, aliados de Ricardo Salles e outras lideranças buscam reaproximação para evitar fragmentações. Com a disputa pelo comando político do campo bolsonarista cada vez mais aberta, a definição das candidaturas ao Senado, governos estaduais e à chapa presidencial tende a se tornar um dos principais focos de tensão da direita nos próximos meses.
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