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Depois de 70 anos sem documentos, idosa escolhe nome e data de nascimento

Após passar sete décadas invisível para o Estado, Maria da Imaculada Conceição, moradora de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, finalmente conseguiu obter sua certidão de nascimento, RG e CPF. Sem qualquer registro oficial, Maria não tinha acesso a serviços básicos de saúde, vacinas ou benefícios sociais, vivendo à margem da cidadania por mais de 70 anos.

A conquista veio após ação judicial movida pela Defensoria Pública do Ceará, que solicitou o registro tardio à Justiça. A idosa pôde escolher seu próprio nome e a data de nascimento: 8 de dezembro, dia em que os católicos celebram Nossa Senhora da Imaculada Conceição, simbolizando um novo começo e reafirmando sua fé.

“Agora eu já tenho o que não tinha pra trás: meu documento. A partir de hoje, que eu nasci novamente, vou tocar a vida pra frente”, declarou Maria, emocionada, ao receber a primeira carteira de identidade com número de CPF, durante atendimento no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município.

O processo teve início quando uma amiga de Maria, Cláudia de Araújo, percebeu a ausência de documentação ao tentar encaminhá-la para atendimento médico. Após meses de acompanhamento jurídico, a Justiça reconheceu o direito da idosa ao registro civil, encerrando décadas de invisibilidade e garantindo-lhe o acesso pleno à cidadania.

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