“Quando o agressor não consegue mais violentar a mulher, ataca os filhos”, alerta advogada Julia Nunes
Em depoimento como assistente de acusação, a advogada Júlia Nunes contou no tribunal de júri o caso chocante de um homem acusado de matar a esposa a facadas na frente das três filhas — um crime cometido há cerca de 20 anos. Ela destacou que este ato brutal não é um caso isolado, mas sim um padrão recorrente e alarmante dentro do ciclo de violência doméstica no país.
Segundo a advogada, há uma perversa expansão da agressão: “quando o agressor não consegue mais dominar ou violentar diretamente a mulher, ele expande sua agressão para os filhos”, transformando‐os em vítimas diretas e indiretas de uma estratégia de terror familiar. A fala chamou atenção para a urgência em reconhecer a gravidade da violência enraizada contra a mulher na sociedade, que atinge todos os membros da família.
O julgamento reacendeu o debate sobre a necessidade de mecanismos mais eficazes de proteção e prevenção para vítimas de violência doméstica, especialmente em contextos onde as crianças se tornam reféns do conflito. A urgência da questão é corroborada por dados: de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou mais de 1.400 casos de feminicídio em 2024, e a violência física e moral é a mais comum, atingindo milhões de mulheres anualmente em seus lares.
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