Golpista é condenado após se passar por médico e faturar R$ 6 milhões
Um acusado, de 44 anos, foi condenado a 17 anos e 6 meses de prisão pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) por se passar por médico, abrir uma empresa de prestação de serviços hospitalares e faturar mais de R$ 6 milhões da Santa Casa de Misericórdia de Tatuí, no interior paulista. Segundo o processo, o homem geriu equipes médicas, realizou mais de 200 plantões e atendeu pacientes pessoalmente, simulando ser outro profissional de saúde.
De acordo com as investigações, o golpista trabalhou em ambulâncias e prontos-socorros nas cidades de Itapetininga e Itapeva antes de conseguir o contrato com a Santa Casa de Tatuí. O esquema durou de fevereiro de 2017 a junho de 2018, quando o falso médico foi descoberto, levando à rescisão do acordo com a instituição hospitalar. A 9ª Câmara de Direito Criminal do TJSP decidiu pela condenação, sentenciado por peculato, exercício ilegal da medicina, falsidade ideológica, uso de documento falso e falsificação de documento público.
No processo, o acusado admitiu ter um diploma falso de medicina da Universidade Ecológica da Bolívia, sem validação no Brasil e sem registro no Conselho Regional de Medicina (CRM). Ele utilizou o nome de outro médico para abrir uma empresa em sociedade com sua irmã, que também foi condenada a 8 anos e 8 meses de prisão por colaborar na fraude. Ambos recorrem da sentença em liberdade.
O golpista conseguiu driblar as autoridades durante anos, fazendo uso do nome de um reumatologista de Rondônia para inscrição secundária no Cremesp. Em 2019, o verdadeiro médico teve conhecimento do caso e afirmou ter sido vítima de estelionato, que já tinha sido alvo da Operação Cochabambas da Polícia Federal em 2019, chegou a ser nomeado secretário municipal de Saúde de Guajará-Mirim, em Rondônia, em janeiro de 2022. Mesmo respondendo ao processo, o falso médico ficou preso preventivamente por alguns meses, recebendo liberdade provisória. Na decisão do TJSP, os desembargadores consideraram que o acusado desviou recursos da saúde pública, utilizando a empresa fraudulenta para firmar contratos com o poder público. A defesa do réu afirma que vai recorrer da decisão.
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