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Política

PF investiga irregularidades na Abin por rastreamento ilegal de celulares

Nesta sexta-feira (20), a Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar possíveis irregularidades na conduta de servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). De acordo com as informações obtidas, os servidores teriam utilizado sistemas de GPS para rastrear celulares sem a devida autorização judicial, uma prática considerada ilegal pelas autoridades. Os detalhes específicos dos supostos crimes não foram divulgados no material oficial da PF, mas a investigação aponta que essas atividades teriam ocorrido durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando a agência era liderada pelo atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). A operação envolveu o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão, além de dois de prisão preventiva, nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Detalhes adicionais sobre a investigação estão sob sigilo. A investigação da Polícia Federal revelou que a Abin, responsável por produzir informações estratégicas para auxiliar na tomada de decisões presidenciais, teria usado o sistema FirstMile, desenvolvido pela empresa israelense Cognyte, para rastrear celulares ilegalmente. O software permitia monitorar até 10 mil dispositivos a cada 12 meses, sem seguir protocolos oficiais ou obter autorização judicial. Os investigadores também apontaram que a rede de telefonia brasileira foi invadida repetidamente, utilizando recursos públicos para a aquisição do serviço. Os servidores envolvidos podem enfrentar acusações por crimes como invasão de dispositivo informático alheio, organização criminosa e interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática sem autorização judicial, ou com objetivos não autorizados em lei. Cerca de 20 pessoas foram intimadas para prestar esclarecimentos, e os depoimentos estão sendo colhidos simultaneamente na sede da PF nesta manhã. Além dos mandados de busca e apreensão, o ministro Alexandre de Moraes determinou o afastamento dos atuais diretores da Abin, que permaneceram em seus cargos mesmo após a troca de governo. Durante a operação, a PF também apreendeu uma grande quantia de dólares na posse de um dos diretores, Paulo Maurício. Dois servidores, Rodrigo Colli e Eduardo Arthur Yzycky, foram presos sob a acusação de coagir colegas para evitar possíveis demissões. É importante destacar que tanto o ex-presidente Jair Bolsonaro quanto o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, não foram alvos dos mandados. Além disso, a fabricante do software utilizado na ação possui um escritório em Florianópolis (SC), que também foi alvo de buscas por parte das autoridades. A investigação continua, e novas informações devem ser divulgadas à medida que o caso se desenrola.
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