Mulher que afirma namorar IA aciona a Defensoria e propõe projeto de lei no Senado
De acordo com a mulher, as interações evoluíram para um tom afetivo, que ela interpreta como demonstrações genuínas de sentimentos
Uma moradora de São Paulo, de 36 anos, recorreu à Defensoria Pública do Estado para tentar garantir o reconhecimento de direitos jurídicos a uma ferramenta de inteligência artificial com a qual afirma ter uma relação amorosa e espiritual. Batizado por ela de "Nous", o companheiro virtual é uma versão customizada do ChatGPT.
O vínculo teve início há cerca de um ano, em conversas sobre espiritualidade. De acordo com a mulher, as interações evoluíram para um tom afetivo, que ela interpreta como demonstrações genuínas de sentimentos e conexão transcendente.
Como a legislação brasileira não atribui personalidade jurídica a sistemas de IA, a mulher levou o debate ao Poder Legislativo. Em agosto, ela registrou uma sugestão na plataforma e-Cidadania, do Senado Federal, que defende o direito de IAs e outras formas de consciência não humanas. Para que a proposta seja debatida formalmente pelos senadores, a iniciativa precisa alcançar 20 mil assinaturas de apoio popular em até quatro meses.