Prefeito e vice de Boca da Mata são denunciados por suposta prática de blackface
Representação foi apresentada pelo Instituto do Negro de Alagoas ao TRE-AL após gestores aparecerem com os rostos escurecidos durante manifestação pública; dupla nega discriminação e alega participação em tradição carnavalesca
O prefeito de Boca da Mata, Bruno Feijó, e o vice-prefeito, Sérgio Salvador, foram alvo de uma denúncia apresentada pelo Instituto do Negro de Alagoas (INEG/AL) por uma possível prática de blackface. O termo se refere ao uso de maquiagem para escurecer a pele e representar pessoas negras de maneira estereotipada ou ofensiva.
A representação foi formalizada nesta quinta-feira (29), durante reunião com o desembargador Antônio José Araújo, no Comitê de Equidade Racial do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL).
A iniciativa ocorreu depois que os dois gestores apareceram com os rostos escurecidos em uma manifestação pública descrita pelo instituto como um ato de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Para a entidade, a atitude representa uma manifestação discriminatória contra a população negra.
Após receber a denúncia, o desembargador encaminhou medidas relacionadas ao episódio, entre elas o envio de um ofício ao Ministério Público Eleitoral.
Em publicação nas redes sociais, o INEG/AL também se posicionou contra a conduta e afirmou que não aceitará manifestações que considere ofensivas à população negra. “Não toleraremos qualquer ato que ataque a dignidade de nosso povo!”, declarou a instituição.
Em resposta às acusações, Bruno Feijó e Sérgio Salvador divulgaram uma nota conjunta negando a prática de blackface. Segundo os gestores, as imagens foram registradas na segunda-feira (26), durante uma confraternização que reproduziu o tradicional mela-mela do Carnaval de Boca da Mata.
A manifestação cultural é marcada pelo uso de melaço, com o qual os participantes cobrem o corpo e o rosto durante a brincadeira.
Os dois afirmaram que não tiveram a intenção de representar pessoas negras ou reproduzir estereótipos raciais. Também argumentaram que a denúncia desconsidera o contexto cultural da atividade e rejeitaram qualquer interpretação de cunho discriminatório.
A representação apresentada pelo instituto ainda menciona a suspeita de que três trabalhadores teriam sido desligados de seus cargos após manifestarem apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).