Menino humilhado após revelar voto em Lula recebe apoio de influenciadores em Fortaleza
Matheus vende bombons para ajudar nas despesas de casa e vive com a avó desde a morte da mãe; vídeo publicado por influenciadora provocou indignação nas redes sociais
O menino Matheus, que viralizou nas redes sociais após ser exposto e ridicularizado por uma influenciadora enquanto vendia bombons em Fortaleza, no Ceará, passou a receber apoio de internautas e criadores de conteúdo. Nesta quinta-feira (29), a mobilização levou a criança à Beira-Mar da capital cearense, onde esteve acompanhado de influenciadores que se sensibilizaram com sua história.
O episódio aconteceu no Mercado dos Peixes, na orla de Fortaleza. Enquanto oferecia os doces aos clientes, Matheus foi questionado pela influenciadora Valéria Diniz sobre em quem havia votado para presidente. Após responder que escolheu Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o menino foi incentivado a fazer um gesto com a letra “L”, associado ao presidente.
Quando a criança atendeu ao pedido, a influenciadora afirmou que não compraria os bombons. As pessoas que estavam à mesa riram da situação, e a gravação foi publicada nas redes sociais, acompanhada de uma mensagem que ironizava a atitude do menino.
O vídeo provocou uma onda de críticas à influenciadora, principalmente pela exposição da criança e pelo constrangimento relacionado à sua manifestação política. Após a repercussão, o perfil que ela utilizava ficou indisponível. Posteriormente, Valéria publicou um pedido de desculpas em outra conta.
A repercussão do caso também levou à divulgação da história familiar do menino. Matheus perdeu a mãe e vive sob os cuidados da avó, Inês de Maria do Nascimento. Para contribuir com as despesas da casa e ajudar a manter o sustento dos dois, ele vende bombons na orla de Fortaleza.
A situação sensibilizou internautas, que passaram a manifestar solidariedade à criança e à avó. Influenciadores também se mobilizaram para oferecer apoio à família, transformando a repercussão do episódio em uma corrente de solidariedade.
Informações divulgadas pelo portal GC Mais apontam que a família recebeu manifestações de apoio após a circulação do vídeo. A mobilização nas redes sociais também ampliou a visibilidade sobre a rotina do menino e as dificuldades enfrentadas por ele e pela avó.
O episódio levantou discussões sobre os limites da exposição de crianças nas redes sociais e o respeito às suas opiniões políticas. A repercussão também trouxe à tona questionamentos sobre o uso de situações cotidianas para produzir conteúdo que possa constranger ou ridicularizar pessoas em situação de vulnerabilidade.
A liberdade de expressão e de consciência é assegurada pela Constituição Federal. No caso de crianças e adolescentes, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) também estabelece a proteção à dignidade, à imagem e à integridade moral.
A mobilização em torno de Matheus passou a ser vista por internautas como uma oportunidade de oferecer apoio à criança e à avó, para que a repercussão do episódio se traduza em ajuda concreta e melhores condições de vida para a família.
A história também reforça a importância de que divergências políticas não sejam utilizadas como justificativa para humilhar ou constranger crianças, especialmente em situações nas quais elas estão trabalhando para contribuir com o sustento familiar.