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POLÍTICA

“Um bairro inteiro bateu panela, mas só o porteiro foi preso”, denuncia Cauê Castro

Superintendente federal critica atuação da Polícia Militar durante manifestação contra Flávio Bolsonaro em Maceió e cobra esclarecimentos sobre a detenção de trabalhador

Peter Lucca

A detenção de um porteiro durante um panelaço contra o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), na noite desta sexta-feira (16), no bairro da Ponta Verde, em Maceió, provocou indignação e questionamentos sobre a atuação da Polícia Militar. O superintendente federal Cauê Castro criticou duramente o episódio e classificou a abordagem como uma possível violação ao direito constitucional de manifestação. “Um bairro inteiro bateu panela, mas só o porteiro foi preso. É impossível não questionar por que, entre tantas pessoas que participavam do mesmo protesto, justamente o trabalhador foi escolhido para ser levado à delegacia”, declarou.

O porteiro, identificado como Edmilson, participava da manifestação ao lado de moradores de diversos edifícios quando foi abordado por policiais militares, após uma confusão envolvendo moradores da região. Segundo o advogado Matheus Gonzaga, o trabalhador recebeu voz de prisão por suposto desacato, mas, na Central de Flagrantes, a ocorrência passou a ser tratada como possível perturbação do sossego. Edmilson foi liberado após prestar esclarecimentos. A defesa contesta a legalidade da abordagem e denuncia cerceamento da liberdade de expressão.

Para Cauê Castro, o episódio exige uma resposta das autoridades. “Desde quando bater panela contra um candidato virou motivo para ser levado à delegacia? Durante anos, vimos manifestações desse tipo acontecerem livremente no Brasil. Agora, quando o protesto é contra um Bolsonaro, um trabalhador acaba detido? A polícia existe para proteger os cidadãos, não para intimidar quem exerce seu direito de protestar. Isso precisa ser esclarecido”, afirmou.

O superintendente também cobrou apuração rigorosa da conduta dos policiais envolvidos e defendeu que o caso não seja tratado como um episódio isolado sem esclarecimentos. “A democracia não pode funcionar de acordo com o candidato que está sendo criticado, muito menos com a profissão ou a condição social de quem protesta. O direito de manifestação vale para todos, do morador da cobertura ao trabalhador da portaria. Não podemos aceitar qualquer forma de repressão seletiva ou intimidação política. A liberdade de expressão não é privilégio de ninguém, é um direito de todos”, concluiu.

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