Clínica clandestina de aborto funcionava há dez anos em residência de Arapiraca
Investigação identificou cinco mulheres submetidas aos procedimentos; uma morreu e outra perdeu a visão de um dos olhos
Uma mulher idosa foi indiciada pela Polícia Civil de Alagoas por realizar abortos clandestinos na própria residência, em Arapiraca, no Agreste alagoano. Segundo as investigações, os procedimentos eram feitos havia pelo menos dez anos, sem condições adequadas de segurança, e resultaram na morte de uma gestante e na perda da visão de um dos olhos de outra paciente.
De acordo com a polícia, cinco mulheres que passaram pelo local foram identificadas durante a apuração. Além das duas vítimas que sofreram consequências graves, outras três não apresentaram sequelas.
A investigação apontou que os procedimentos eram divulgados informalmente, por meio de indicações entre pessoas. Os valores cobrados variavam entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil.
A responsável pelo imóvel foi indiciada por aborto provocado por terceiro com consentimento da gestante, homicídio culposo e lesão corporal de natureza gravíssima.
Conforme o delegado Edberg Oliveira, a mulher demonstrou pouca instrução durante o depoimento e afirmou acreditar que estava ajudando pessoas que não desejavam continuar a gravidez. Segundo a autoridade policial, os procedimentos eram realizados de maneira rudimentar, colocando a vida das pacientes em risco.
Um empresário também foi indiciado por suspeita de participação em um dos casos. Segundo as investigações, ele teria pressionado uma mulher a interromper a gestação, fornecido medicamentos e pago R$ 2 mil pelo procedimento.
As atividades da clínica clandestina foram descobertas após denúncias que levaram a Polícia Civil a investigar o local. Em 12 de março de 2026, agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência, onde foram recolhidos instrumentos cirúrgicos, medicamentos, materiais hospitalares e celulares.
Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado à Justiça e aguarda manifestação do Ministério Público de Alagoas, responsável por avaliar as medidas cabíveis.