Vorcaro teria relatado repasse de R$ 30 milhões ao Instituto Lula para documentário, diz Veja
Banqueiro diz que dinheiro seria entregue em espécie ao Instituto Lula; PGR não deu seguimento ao material
O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teria relatado o repasse de R$ 30 milhões em dinheiro ao Instituto Lula para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi publicada pela revista Veja nesta sexta-feira (9), com base em um áudio e documentos que, segundo a publicação, foram apresentados pelo empresário em tentativas de negociar um acordo de colaboração com as autoridades.
Nos relatos atribuídos a Vorcaro, as supostas transferências estariam relacionadas a articulações para viabilizar investimentos do Banco Master em fundos de previdência de empresas estatais. O banqueiro também teria apontado a participação de integrantes do governo federal nas negociações. Segundo a revista, a Procuradoria-Geral da República (PGR) não deu prosseguimento às informações apresentadas por ele.
De acordo com a reportagem, as tratativas teriam começado por meio de Augusto Lima, então sócio de Vorcaro e executivo do banco, que teria feito contato com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. Na versão do banqueiro, Vaccari teria pedido cerca de R$ 30 milhões para custear uma produção sobre Lula, além de uma comissão de 10% sobre os valores captados pelo Master junto a fundos como Previ, Petros e Postalis. O dinheiro, conforme o relato, seria destinado em espécie ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto.
Em um áudio reproduzido pela Veja, Vorcaro comenta o suposto financiamento do filme e compara a operação com recursos destinados ao documentário “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. A publicação também informou ter obtido mensagens sobre uma possível reunião entre Lula e o banqueiro em outubro de 2024, mas ressaltou que não há comprovação de que o encontro tenha ocorrido.
Lula negou ter pedido ou recebido vantagens financeiras de Vorcaro, enquanto o ministro Alexandre Padilha, também citado na reportagem, negou qualquer relação com o empresário. As alegações apresentadas pelo banqueiro não comprovam, por si só, a realização dos pagamentos nem o envolvimento dos agentes públicos mencionados.