Candidata do PCO provoca protesto em debate após defender separação de presídios por sexo biológico
Izadora Dias afirmou que medida evitaria supostos casos de assédio contra mulheres cis; estudantes deixaram o local após as declarações
A candidata do PCO ao Governo de São Paulo, Izadora Dias, provocou um protesto durante um debate realizado na quarta-feira (30), na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP), após defender que o sistema prisional seja dividido com base no sexo biológico dos detentos.
Durante o evento, organizado pela Associação Paulista de Saúde Pública (APSP) e pela FSP, Dias afirmou que a medida evitaria situações que, segundo ela, envolvem mulheres trans e mulheres cisgênero.
“Os presídios precisam ser definidos pelo sexo. Há muita denúncia de mulheres que estão sendo ameaçadas, que estão sofrendo com a presença de mulheres trans”, declarou a candidata.
Dias também afirmou que diferenças biológicas entre homens e mulheres são comprovadas pela ciência e citou como exemplos a gestação e a amamentação.
As declarações foram contestadas por estudantes do Centro Acadêmico Emílio Ribas (Caer), que acusaram a candidata de transfobia e deixaram o local em protesto. A discussão terminou com o encerramento do debate.
A estudante Vick Matos, representante do Caer, afirmou que não aceitava o que classificou como estereótipos contra mulheres trans e declarou solidariedade a estudantes transexuais. Ela também afirmou que a transfobia é crime.
Em resposta, Dias relacionou a legislação que criminaliza a homotransfobia a acusações e prisões de pessoas que defendem o Estado Palestino.
Desde 2019, o STF enquadra condutas homofóbicas e transfóbicas nos tipos penais previstos na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), até que o Congresso aprove legislação específica. A decisão foi tomada pelo plenário da Corte no julgamento da ADO 26 e do MI 4733.
Em nota, o Caer e a direção da FSP repudiaram as declarações de Dias e classificaram as falas como homofóbicas. Os grupos afirmaram ainda que não toleram estereótipos contra pessoas marginalizadas.
A organização também acusou uma estudante de ter tido sua fala “maliciosamente editada” e descontextualizada para gerar desinformação e engajamento nas redes sociais.
Além de Izadora Dias, participaram do debate Carlos Machado (PCB) e Vivian Mendes (UP). Marianne Pinotti representou o candidato Fernando Haddad (PT). Os demais candidatos convidados não compareceram.