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PF aponta indícios de fraude em concurso da Polícia Científica de Alagoas

Marianna Carvalho

A 17ª Promotoria de Justiça da Capital ampliou a investigação sobre possíveis irregularidades no concurso da Polícia Científica de Alagoas, realizado em janeiro de 2023. O aditamento foi publicado nesta quinta-feira (1º), no Diário Oficial do Ministério Público de Alagoas (MPAL), após o recebimento de informações da Polícia Federal (PF) que apontam indícios de manipulação de resultados e descumprimento das regras do edital.

A apuração faz parte do Procedimento Preparatório nº 06.2026.00000209-6, aberto inicialmente para investigar possíveis irregularidades na nomeação de Anacleide Pereira Feitosa para o cargo de auxiliar de perícia. Segundo o MPAL, há suspeitas de que a prova atribuída à candidata tenha sido realizada por Mariana Abreu de Andrade Cirilo, que teria utilizado uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH) falsificada com sua própria fotografia.

De acordo com o Ministério Público, Anacleide havia sido aprovada inicialmente na quarta colocação, mas passou para a 80ª posição após o curso de formação, etapa eliminatória e classificatória. Mesmo assim, ela foi nomeada em janeiro de 2026. Durante a investigação social, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) não identificou impedimentos à nomeação, devido à ausência de elementos conclusivos naquele momento.

O caso também está relacionado a uma investigação mais ampla da Polícia Federal sobre fraudes em concursos públicos. Em abril, o Ministério Público Federal (MPF) informou que a apuração identificou práticas como o uso de pontos eletrônicos e de candidatos substitutos, conhecidos como “clones”. Entre os investigados estão o então delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, e o agente Eudson Oliveira de Matos, marido de Anacleide, que foram afastados cautelarmente por decisão judicial.

Além da investigação sobre possíveis fraudes, outro procedimento do MPAL apura a falta de transparência na divulgação das notas do concurso, especialmente pela ausência de detalhamento do desempenho dos candidatos por disciplina. O novo aditamento, no entanto, não aponta responsáveis, não confirma a ocorrência de fraude nem determina a anulação do certame. A investigação segue em andamento para esclarecer as suspeitas.

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