Saúde de Alagoas chega a R$ 6 bilhões em ano marcado por operações da PF e denúncias em hospitais
Orçamento quase quadruplicou em 2026, enquanto investigações, denúncias de falhas no atendimento e atrasos em obras colocam a estrutura da saúde estadual sob questionamentos
O orçamento da Saúde de Alagoas chegou a R$ 5,93 bilhões em 2026, quase quatro vezes os R$ 1,53 bilhão previstos no início do ano. De acordo com dados do Portal da Transparência, o valor aumentou cerca de R$ 4,4 bilhões, uma alta de 287,8%.
Na prática, é um volume de dinheiro que deveria aparecer no dia a dia de quem depende do serviço público: em consultas, exames, medicamentos, cirurgias, leitos e estrutura nos hospitais. Mas, diante desse aumento, o que a população encontra nas unidades de saúde?
O crescimento do orçamento ocorre em um ano marcado também por investigações e reclamações envolvendo a saúde estadual. O secretário Gustavo Pontes foi alvo da Operação Estágio IV, da Polícia Federal, que apura suspeitas relacionadas a recursos da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). A investigação reúne contratos, movimentações financeiras e áudios analisados pelos investigadores. Pontes nega irregularidades e não há condenação definitiva contra ele.
Outro caso que chamou atenção foi a morte de Cecília Ferreira da Silva, de 2 anos, após passar pelo Hospital Geral do Estado (HGE) para a recolocação de uma sonda. A certidão de óbito registra “falso trajeto de sonda de gastrostomia” e sepse de foco abdominal. O documento, sozinho, não aponta responsabilidade de profissionais.
Em Arapiraca, a situação do Hospital Metropolitano do Agreste também levanta questionamentos. A obra estava com 48,87% de execução física, apesar de o cronograma prever 100% para agosto. Uma nova medição de R$ 4,55 milhões foi autorizada para o projeto.
Os R$ 5,93 bilhões são uma previsão atualizada do orçamento e não significam que todo o dinheiro já tenha sido gasto. Mesmo assim, o aumento chama atenção para uma questão que interessa diretamente a quem usa o SUS: se o orçamento da Saúde quase quadruplicou, quanto desse dinheiro já se transformou em atendimento, remédios, exames, equipamentos e hospitais funcionando de fato?