PF investiga atuação de Lulinha, lobista e ex-assessor de Lula em negociação com Petrobras
Mensagens indicam articulações em favor da Unigel; investigação apura possível influência para viabilizar acordo com a estatal
A Polícia Federal investiga a atuação de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, da lobista Roberta Luchsinger e de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, em negociações entre a fabricante de fertilizantes Unigel e a Petrobras. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo e confirmadas pela imprensa.
Segundo a investigação, Roberta negociou com Leo Slezynger, diretor da Unigel, um contrato de consultoria para ajudar a empresa a viabilizar um acordo com a Petrobras. A negociação também envolvia a tentativa de obter um financiamento de R$ 500 milhões junto ao BNDES.
O contrato previa R$ 100 mil e mais R$ 25 milhões caso o financiamento fosse obtido. Entre março de 2023 e julho de 2024, segundo a PF, Leo teria repassado R$ 1,26 milhão à lobista, além de despesas com hotéis e presentes.
As mensagens analisadas pelos investigadores indicam que Lulinha tinha conhecimento da negociação e manteve contato com o executivo da Unigel. Ele também teria participado de uma reunião com Leo em março de 2023.
Em uma conversa, Roberta sugeriu que Lulinha fosse convidado para integrar o conselho de um fundo ligado à empresa, com remuneração. A lobista afirmou que a estratégia poderia aproximar a companhia do presidente Lula. Leo posteriormente encaminhou a Roberta uma mensagem atribuída a Lulinha: “Estamos juntos meu amigo. Domingo agora vou pra Portugal e volto no outro sábado. Pode marcar quando vc quiser”.
As mensagens também mostram Roberta recorrendo a Marcola, então chefe de gabinete da Presidência, para tratar das negociações com a Petrobras. Em determinado momento, ela pediu que ele conversasse com o então ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, sobre a Unigel.
O contrato de tolling entre Petrobras e Unigel foi assinado em dezembro de 2023. A empresa buscava uma solução para manter em operação as fábricas de fertilizantes da Bahia e de Sergipe.
Marcola nega ter intermediado negociações ou atuado em favor de interesses privados. Segundo sua defesa, ele apenas deu encaminhamentos institucionais a demandas que chegaram à Presidência.
A Unigel afirma que nunca manteve relação contratual com Roberta Luchsinger. A Petrobras diz que as negociações seguiram as normas de governança e foram conduzidas por equipes técnicas das duas empresas.
O Ministério de Minas e Energia afirma que Marcola não pediu ao ministro Alexandre Silveira qualquer interferência em assuntos da pasta. A Secom declarou que Lula não recebeu demanda das pessoas citadas e não participou das negociações.
A defesa de Lulinha ainda não havia se manifestado até a publicação.