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Vorcaro diz que grupo ligado a Jaques Wagner recebia R$ 3 milhões por mês

Relato consta de proposta de delação rejeitada pela PF e pela PGR por falta de elementos suficientes para corroborar as acusações

Arthur Vieira

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada, que um grupo político ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) recebia cerca de R$ 3 milhões por mês em supostas vantagens indevidas relacionadas à operação do Credcesta, cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos da Bahia.

A informação foi divulgada pelo UOL e confirmada pela CNN. A proposta de colaboração foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República por falta de elementos considerados suficientes para corroborar os relatos. Vorcaro afirmou que não presenciou os supostos pagamentos e que tomou conhecimento deles por meio de seu ex-sócio Augusto Lima, que nega as acusações.

O ex-banqueiro também afirmou que Wagner teria participação oculta na operação do Credcesta por meio da PKL One. Segundo o documento, a estrutura teria sido negociada em 2018, quando o Banco Master teria pago R$ 30 milhões por uma participação na empresa.

Vorcaro apontou ainda Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como “Guiga”, como suposto operador ligado ao grupo de Wagner. Ele teria participado da estrutura societária de um fundo que possuía participação indireta na PKL One.

A proposta de delação, porém, não apresenta comprovação consolidada dos pagamentos. O contrato referente aos R$ 2 milhões mensais, por exemplo, não identifica beneficiários políticos, enquanto o relato sobre os pagamentos em espécie não detalha todos os destinatários, datas e valores acumulados.

Jaques Wagner já é alvo de investigação no caso Master. A Polícia Federal apura, entre outros pontos, suspeitas envolvendo pagamentos, movimentações financeiras e a compra de um apartamento em Salvador que teria beneficiado o senador. Em setembro, a PF apontou mensagens que relacionariam o imóvel a um possível pagamento de R$ 2,45 milhões.

Wagner nega irregularidades. As defesas do senador e de Augusto Lima também contestaram as acusações apresentadas por Vorcaro. A defesa do ex-banqueiro, por sua vez, afirmou não reconhecer a autenticidade e a integridade do material divulgado.

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