Menina faz apelo em meio às queimadas no Amazonas: “Não conseguimos respirar”
No relato, a menina afirmou que a fumaça já se aproxima das casas e tem dificultado a respiração dos moradores. “A gente não consegue mais respirar direito”, disse.
Aos seis anos, Yandra Mawé, conhecida nas redes sociais como a “Oncinha do Amazonas”, publicou um vídeo para chamar atenção para os efeitos das queimadas na comunidade indígena Sahuapé, na zona rural de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus. No relato, a menina afirmou que a fumaça já se aproxima das casas e tem dificultado a respiração dos moradores. “A gente não consegue mais respirar direito”, disse.
O alerta ocorre em meio ao avanço dos focos de calor no Amazonas. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram registrados 3.240 focos de queimadas entre 1º e 22 de setembro, alta de 244% em relação aos 942 registrados no mesmo período de 2025. As ocorrências estão distribuídas por diferentes regiões do estado, incluindo municípios da Região Metropolitana de Manaus.
Em Iranduba, um incêndio de grandes proporções atingiu uma área de vegetação nas proximidades de Cacau Pirêra nesta semana e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros. O município já havia enfrentado problemas relacionados à fumaça em agosto, quando aulas presenciais foram suspensas em escolas afetadas por um incêndio no lixão local. No vídeo, Yandra também pediu que a população evite queimar lixo e descartar resíduos nos rios, além de reforçar a necessidade de preservação da natureza.
A fumaça também alcançou Manaus e elevou os níveis de poluição atmosférica. Na quarta-feira (23), o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental da Universidade do Estado do Amazonas registrou concentração de até 291 microgramas de partículas finas PM2,5 por metro cúbico, nível classificado como “péssimo”. Especialistas apontam que a estiagem, o calor, a baixa umidade e as condições climáticas têm favorecido a permanência e o deslocamento da fumaça para a capital e municípios próximos.