Quem é Willer Tomaz, advogado que diz ter bancado voo de Flávio em jato ligado a Vorcaro
Empresário afirma que custeou viagem do candidato do PL e nega ter relação com Daniel Vorcaro; aeronave também foi usada por Alexandre de Moraes
O advogado e empresário Willer Tomaz voltou ao centro do noticiário nesta quinta-feira (24), após a revista Piauí revelar que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) viajou, em janeiro de 2025, dos Estados Unidos para Brasília em uma aeronave ligada ao empresário Daniel Vorcaro.
Tomaz estava no mesmo voo e afirma que foi o responsável por solicitar, organizar e custear integralmente a viagem. Segundo ele, Flávio e os familiares que o acompanharam eram seus convidados, sem custo ou contrapartida. O advogado também afirma que não conhece Vorcaro e nunca manteve negócios com ele.
A aeronave, um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, pertence formalmente à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., sociedade dividida em três cotas. Uma delas pertence a uma empresa ligada a Tomaz. Outra cota foi vendida à Prime You, empresa que teve Vorcaro como sócio até setembro de 2025. Tomaz afirma que não autorizou a operação e que está em litígio com a empresa desde que tomou conhecimento da negociação.
O mesmo jato foi utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, em agosto de 2025, sete meses após o voo de Flávio.
Após a divulgação da reportagem, Flávio publicou nas redes sociais que “ainda bem que na época o avião era de Willer” e afirmou que, caso contrário, teria viajado em um avião de Alexandre de Moraes.
Tomaz também é citado em investigações relacionadas à Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo descontos não autorizados em benefícios do INSS.
Em agosto, ele foi alvo de busca e apreensão em uma investigação da Polícia Federal que apura possíveis movimentações financeiras e patrimoniais relacionadas ao senador Weverton Rocha (PDT-MA) e pessoas próximas a ele. Segundo a PF, empresas ligadas a Tomaz teriam realizado movimentações financeiras que estão sob análise. O advogado nega envolvimento nas irregularidades investigadas.
Em 2017, Tomaz também foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato, sob suspeita de intermediar pagamentos de propina relacionados ao caso JBS. Em 2021, a PF apontou movimentações consideradas suspeitas que ultrapassavam R$ 45 milhões.
No caso atual, Tomaz nega qualquer relação com as fraudes do INSS e afirma que não figura como investigado no procedimento relacionado ao esquema. As acusações e suspeitas citadas nas investigações ainda são objeto de apuração.