Na reta final da TV, Flávio se apresenta como alvo de ataques e Lula compara governos
Candidatos exploraram temas como endividamento, segurança e custo de vida em programas exibidos nesta terça-feira (22)
A menos de duas semanas do primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) usou a propaganda eleitoral na TV desta terça-feira (22) para se apresentar como alvo de ataques da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O presidente, por sua vez, voltou a comparar seu governo com a gestão de Jair Bolsonaro.
Flávio abriu o programa afirmando que a propaganda de Lula tenta atacá-lo desde o início da campanha, com “baixarias” e edição de suas declarações. Apesar do discurso, o senador também fez críticas diretas ao governo petista.
Para o cientista político Aldo Fornazieri, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), a estratégia funciona como uma tentativa de defesa e de manutenção do eleitorado já alinhado ao candidato.
A propaganda de Flávio concentrou-se em temas como endividamento e segurança pública. O senador criticou o governo Lula, prometeu medidas para renegociação de dívidas, redução de juros e impostos e afirmou que pretende construir cinco megapresídios federais, aumentar penas para crimes como roubo de celulares e reduzir a maioridade penal.
Segundo o professor Camilo Aggio, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a campanha também busca dialogar com eleitores preocupados com crimes cotidianos.
Na parte final do programa, foram exibidos depoimentos de mulheres negras com críticas ao custo de vida e ao PT. Aggio avalia que a escolha busca alcançar segmentos nos quais Flávio apresenta desempenho eleitoral inferior ao de Lula, segundo pesquisas.
No programa petista, Lula reconheceu que a situação econômica “não está boa” e prometeu reduzir a inflação. A peça também comparou os governos e atribuiu ao período Bolsonaro parte da alta dos preços dos alimentos.
O programa destacou medidas do atual governo, como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, e afirmou que os efeitos da gestão anterior ainda são sentidos. A propaganda também voltou a associar Flávio ao governo do pai.
Para Fornazieri, a estratégia de Lula de confrontar diretamente o adversário pode ter efeitos distintos. Segundo ele, a campanha petista deveria concentrar mais espaço nas ações realizadas pelo governo nos últimos quatro anos.
O horário eleitoral gratuito do primeiro turno termina em 1º de outubro. A votação está marcada para 4 de outubro. A pesquisa Datafolha divulgada em 17 de setembro registrou Lula com 39% e Flávio com 36% das intenções de voto, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.