O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a interferência dos Estados Unidos na América Latina durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Em sua 11ª participação no evento, Lula afirmou que a proximidade com a maior potência militar do mundo ocorre em um contexto de “recrudescimento de tentações hegemônicas”.

“Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável”, declarou Lula. O presidente também afirmou que o Brasil não deve se submeter a interesses externos. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, disse, sob aplausos, defendendo maior integração entre os países da região.

Lula também destacou a necessidade de estabelecer relações internacionais baseadas em desenvolvimento e cooperação. Segundo o presidente, diferenças ideológicas não devem impedir a aproximação entre países vizinhos e o Brasil deve buscar parceiros com uma agenda voltada ao desenvolvimento.

Durante a Assembleia Geral, Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tiveram um encontro, segundo fontes próximas ao presidente brasileiro. Os dois haviam se encontrado rapidamente em 2025, em meio às negociações sobre tarifas impostas pelos EUA ao Brasil e às discussões envolvendo sanções contra o ministro Alexandre de Moraes. O episódio marcou uma mudança na relação entre os dois governos, que posteriormente passaram a manter diálogo direto.