Lula prepara ofensiva contra bets e avalia proibir ‘jogo do tigrinho’
Presidente defende medidas mais rígidas contra apostas online; governo ainda discute alcance das possíveis restrições
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou a ofensiva contra as plataformas de apostas online, conhecidas como bets, e avalia medidas para restringir o setor. Entre as possibilidades discutidas pelo governo está a proibição de cassinos online, como os jogos conhecidos pelo apelido de “jogo do tigrinho”.
Lula tem defendido publicamente o fim das bets. Em ato realizado em Guarulhos (SP), na sexta-feira (18), afirmou que, se dependesse de sua vontade, acabaria com as plataformas no Brasil. Nesta segunda-feira (21), o presidente também demonstrou interesse em conhecer medidas adotadas pelo Uruguai para restringir apostas.
A definição sobre o alcance das medidas, porém, ainda não foi tomada. Entre as alternativas discutidas estão a proibição dos cassinos online e novas restrições à publicidade das bets. O governo também avalia os impactos jurídicos e econômicos de uma eventual proibição das plataformas autorizadas a operar no país.
O mercado regulado de apostas começou a funcionar em 2025, após a regulamentação aprovada no fim de 2023. Atualmente, as plataformas autorizadas precisam cumprir regras estabelecidas pelo governo federal.
A discussão ganhou força diante de dados sobre endividamento relacionado às apostas. Estudo do Comsefaz e do Cicef apontou que as famílias brasileiras perderam R$62,5 bilhões para as bets em 2025, segundo levantamento.
Uma eventual proibição também enfrenta obstáculos. Entre eles estão possíveis disputas judiciais, os contratos e autorizações concedidos às empresas e a dificuldade de impedir o acesso a plataformas ilegais. O governo ainda considera os efeitos sobre publicidade, mídia e clubes de futebol, que possuem contratos com empresas do setor.
O tema deve continuar em discussão dentro do governo após o retorno de Lula da Assembleia-Geral da ONU. Enquanto isso, a campanha do presidente passou a explorar o combate às apostas em peças de comunicação, associando o tema a relatos de endividamento e dependência de jogos.
Atualmente, o governo também oferece uma plataforma de autoexclusão que permite aos usuários bloquear voluntariamente o acesso a todas as bets autorizadas no país por período determinado ou indeterminado.