Seis ministros do STF tiveram algum tipo de relação com Vorcaro, aponta levantamento
Moraes, Toffoli, Mendonça, Nunes Marques, Fux e Gilmar aparecem em diferentes episódios relacionados ao ex-banqueiro
Seis dos 10 ministros em atividade no Supremo Tribunal Federal (STF) tiveram, de forma direta ou indireta, algum tipo de relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, segundo levantamento baseado em informações reveladas durante as investigações do caso.
Na lista estão Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e Gilmar Mendes. Os episódios são distintos e envolvem desde contatos diretos com o empresário até relações de familiares ou pessoas próximas.
As informações sobre as relações com Vorcaro foram obtidas, em parte, a partir de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro. O material levou a questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, mas a existência de contato ou relação comercial, por si só, não comprova irregularidade.
No caso de Gilmar Mendes, por exemplo, Francisco Feitosa, seu ex-cunhado, foi contratado em 2024 por uma empresa ligada a Vorcaro. Diálogos extraídos do celular do empresário indicam tratativas envolvendo universidades privadas e assuntos relacionados ao Ministério da Educação.
Gilmar afirmou, por meio de sua assessoria, que nunca tratou com Vorcaro ou Feitosa de assuntos relacionados ao MEC. O ministro também declarou que, em julgamento sobre a abertura de novos cursos de medicina, votou a favor da posição do governo, e não das universidades.
André Mendonça também aparece entre os ministros relacionados ao caso. Uma empresa ligada a Lucas Kallas, ex-sócio de Vorcaro, transferiu R$ 5,2 milhões ao Instituto Iter, entidade da qual Mendonça foi cofundador. A operação ocorreu quando o ministro ainda integrava a instituição e foi encerrada no início de 2026.
Também há registros de contatos de Vorcaro com Moraes, Toffoli, Nunes Marques e Fux, segundo informações divulgadas no curso das investigações. As circunstâncias e a natureza dessas relações são diferentes em cada caso e são objeto de questionamentos e apurações.
A crise em torno das relações entre Vorcaro e integrantes do Judiciário ganhou força após a disputa no STF sobre a condução das investigações do caso Master. A defesa do ex-banqueiro chegou a pedir a revogação da prisão preventiva e citou a crise interna da Corte como um dos argumentos.
As investigações ainda precisam esclarecer se houve irregularidades nas relações identificadas e eventual responsabilidade individual. Até que isso seja apurado, os vínculos revelados não permitem concluir, por si só, que ministros tenham cometido crimes ou atuado para beneficiar Vorcaro.